terça-feira, 31 de março de 2009

Pelo que você luta?

Essa semana soube de um ato de irresponsabilidade enorme, pra dizer o mínimo. Minha esposa viu quando um carro se aproximou de uma praça e seu condutor atirou pela janela uma caixa de papelão. De dentro saíram 10 filhotes de cachorro que por pouco não iam sendo atropelados quando corriam pela rua. Ela e uma amiga recolheram os tais e decidiram sair doando os vira-latinhas aonde conseguissem.

Bom, diante de tanta barbaridade que vemos todos os dias nos jornais da vida, esse foi mais um. Os motivos do sujeito para jogar fora uma prole inteira podem ter sido inúmeros. Eu não quero saber de nenhum! Não existe motivo válido para atirar 10 cachorros pelo carro. Mas quem sou eu pra dizer alguma coisa num país onde se atiram os próprios filhos pela janela?

Ou então tranca-se os mesmos em porões ou pior. Abusos sexuais também são comuns.

Alguns culpam a destruição da célula familiar. Outros culpam a TV ou video games. Alguns outros, o governo ou a miséria. Ou tudo isso junto.

A verdade é que o egoísmo prevalece sobre tudo hoje em dia. Somos egoístas e estamos ficando cada vez mais. Esse egoísmo vai além do dinheiro. Está na tranquilidade. Todos querem ficar de fora de problemas.

Todos têm tantas preocupações, dinheiro tão contado, que se envolver numa discussão de criança já é perigoso. Hoje em dia o negócio é processar e tentar ganhar uma grana. E ficar fora de problemas. O advogado resolve.

Isso gera antipatia, descrença, desconfiança. E as ligações humanas vão se desfiando e desmanchando. Os amigos vão se mostrando não tão amigos assim: faça um teste, pense em quem é seu amigo de verdade, que não te disse um 'não' quando você precisou. Sobraram muitos? Sorte sua.

E a necessidade de amigos gera irmandades, seitas, gangs. E quando sua sociedade forma uma gang, bem... Ela forma mais de uma.

E elas brigam.

Marcam brigas pelo Orkut. Vestem camisas coloridas e vão a estádios fingir que assistem a um jogo. Invadem a rua de cima, 'dominando' seu mundinho ridículo de 4 esquinas com paus e pedras na mais otimista das visões.

A força policial empregada durante um jogo de futebol é o maior desperdício de dinheiro e pessoal de que se tem notícia. Sabem que estão colocando juntos 2 grupos que querem se matar e depois tentam evitar. Tem coisa mais imbecil do que isso? Nesta semana vimos, de novo, a torcida se bater com policiais. Não existe nem respeito e - preocupante - nem medo.

E por que brigam? Porque precisam. O problema é o motivo. Brigam por causas erradas, por causa nenhuma. O brasileiro não tem pelo que lutar, então luta pelo que tem. E tem quase nada. Tem um time de futebol. Um quarteirão. Uma escola de samba. Pelo país, pelos direitos não vejo muita gente lutar. Sorte de quem se aproveita disso.

Quanto aos filhotes, conseguimos doar 9, falta um. Alguém aí quer um cachorrinho?

terça-feira, 24 de março de 2009

Quem se importa!?

Todos eles! Todos. Começou num dos canais e foi se espalhando como uma praga. Outro dia eu vi o último deles ser infectado e desisti. Os telejornais estão todos fazendo a mesma coisa: mandando seus apresentadores comentarem a notícia, logo depois que ela é dada.

E não conversam apenas com os que assistem não. Conversam entre eles. É patético. Sabe aquela sensação de vergonha que a gente sente por outra pessoa?

E tem notícia que rende mais comentários que são, por exemplo: "É um absurdo...", "E quem paga...é a população". E eles começam com: "E você sabe que...", "Além do que...", "É, é um absurdo" (já falei do temo 'absurdo' em outro post).

Só o Boris Casoy podia fazer isso. Só ele. Fora a dele, ninguém quer saber opinião de âncora da Rede Globo, Record, SBT e outras, que se acha concorrente ao Pulitzer. Ninguém além da massa medíocre, é claro!

E é aí que a merda começa. Audiência. Parece que dá Ibope opinar sobre tudo de maneira casual no meio do programa. Parece que eles estão aqui em casa, falando comigo, é isso?

Tédio!!!

Me dá a notícia e cala a boca!

Os jornalistas então, sempre usam a mesma entonação, já viram? Não importa a notícia, o canal, o horário, nada. Parece uma fórmula do sucesso. A receita mágica para se dar uma notícia. Geralmente tem uma pausa dramática, um fechar de olhos quase poético, e a conclusão, cantada, esticada, junto com um movimento suave da cabeça numa afirmação.

Mais tédio...

Fora isso, assitir um telejornal hoje é receita de depressão. Chamar de desgraça já é eufemismo. Acho que dá pra chamar de 'realidade aumentada' pela forma como se mostram as coisas. Se o coitado do entrevistado que perdeu a casa na enchente ou foi mordido pelo próprio Pitbull não diz frases-chave como 'foi horrível', 'pensei que ia morrer', eles perguntam assim: 'E a senhora pensou que ia morrer, certo?', 'Foi a pior sensação da sua vida, não foi?'. É entrevista ou interrogatório do DOI-CODI?

E não adianta mudar de canal, ou você corre o risco de ver o helicóptero Águia da PM sobrevoando algum lugar e o babaca narrando o inenarrável. Alguém avisa que não é rádio! Estou vendo o sujeito com a arma na mão. Não precisa dizer: 'Veja, ele tem uma arma', 'Veja como eles queimam os colchões em forma de protesto', 'Vejam agora essa barbárie' (palavra legal também, bastante usada).

A verdade é que notícia tá em falta. Notícia que o povão quer ver, claro. Repete-se muito a mesma estória com conteúdos exclusivos de uma coisa que merecia no máximo, nota de rodapé. A ditadura censurava no passado, mas hoje a censura é auto-aplicada. Censura-se tudo que é relevante ou de qualidade. Quem garimpa notícias e tem acesso à internet e outras mídias pode se manter um pouco mais informado. Pena. Mas depois da corrupção, sempre vem o Timão! Futebol vem sempre depois da notícias políticas nacionais.

E então, o plantão da Globo entra no ar com aquela musiquinha que faz o coração pular: tan, tantan, tantantantammm...

Alguém deve ter sido vítima de um AVC. Tá na moda.

terça-feira, 17 de março de 2009

Sou green! Mas, e quem não é?

Mais uma semana, mais um show. Dessa vez fui ver os ingleses heavy metal do Iron Maiden. Wow! que show!

Pena que a tempestade que caiu na metrópole (pelo menos ali na região do autódromo de Interlagos) deixou o terreno meio....cremoso. Era barro que não acabava mais. E gente também! O pessoal estimou 100.000 pessoas, sendo o recorde de público da banda (u-hu).

Mas pra fechar, claro, estragaram. Como se faz pra atravessar 100.000 pessoas por um portão? Chama a Mondo Entretenimento! Os caras são demais: esse mundaréu de gente em fila pra sair por um único portão! Desmaios e atropelamentos foram mais do que comuns.

Mas eu não vim falar disso não! Eu fui fazer a tal inspeção veicular 'obrigatória'. Entre aspas porque, bem...todo mundo já sabe.

O fato é que eu esperava encontrar um lugar todo caído, de chão de pedregulho, um toldo velho e gente mal humorada. Não poderia estar mais enganado.

Cancela na porta, horário determinado, pessoal cordial. Ambiente grande, preparado, demarcado e com identidade visual própria e bem usada (coisa rara). Primeiro mundo mesmo.

10 minutos depois meu carrinho havia passado no teste. Que bom (fiquei sabendo que gente com carro novo por aí, não passou). Adesivo verdinho colado (aquele '09' estampado no pára-brisa me lembra todo dia que tenho q refazer isso ano que vem) e pronto pra rodar pela saída muito bem sinalizada. Legal, se não fosse o problema de sempre. Só funciona pra quem não precisa.

Carros antigos não precisam fazer! E o pior é a alegação de que se fizer em carro antigo, muitos vão reprovar.

Eu perdi alguma coisa aqui? Então se for reprovar, não precisa fazer? Cara, gênios!!! Eu comecei a entender o Brasil! Não se faz CPI pra valer porque todo mundo vai ser preso! Não se manda bandido pra julgamento porque muitos vão ser condenados! Rá! Eu sabia que esse país tinha lógica.

Palhaçada....

Ah, e agora dizem que vão devolver minha grana. Já tentou achar no site da Controlar como faz? Aliás, alguém lá no fim da inspeção te disse como que faz? Bem, eu fiquei sabendo por sorte, porque me contaram. E é outro órgão quem devolve: a Prefeitura, conhece?

Bem, tem que entrar no site, preencher os dados, pedir, por favor, pra ter seu dinheiro de volta e esperar, né?

E vamos nós, tentar ir no show do Heaven and Hell, quem sabe. De carro inspecionado, claro!

terça-feira, 10 de março de 2009

Herois

Esse final de semana foi recheado. Fui assistir o filme "Watchmen" e aos dois shows do Deep Purple aqui em Sampa.

Foram momentos de extrema mediocridade genial. Explico: Watchmen é ícone das histórias em quadrinho de caráter cult, obra do consagrado Alan Moore, adorado pelos 'nerds'. E o que são os nerds senão os medíocres que se sentem mais geniais? Gostar de Watchmen é a genialidade que os separa dos leitores de Superman e afins. Quanto aos shows, o rock clássico é o que eleva o espírito de jovens que odeiam o MPB, samba, pagode, RAP, axé, funk (e até mesmo esse novo rock) e coisas assim. E rejuvenescem tiozões já cansados que se lembram de alguma época da vida.

Ou seja, ler Watchmen e ouvir rock clássico limpa nossas almas.

Os dois eventos também enaltecem o conceito do heroi. Super-herois de roupa colante e capas esvoaçantes ou herois dos palcos, da música, que gritam coisas que gostaríamos de gritar. E herois são a constatação máxima de nossa mediocridade.

"Triste é o povo que precisa de herois", disse Bertold Brecht. Poderia ser: medíocre é o povo que precisa deles. E precisamos. Para sonharmos, imaginarmos. Para esperar a justiça.

Meu personagem preferido de Watchmen é Rorschach (pronuncia-se Rorchak). Anti-heroi por excelência, violento, sem frescuras e pronto para dizer o que pensa. Teatral até. É o que mais tem noção da mediocridade de sua existência e de sua genialidade dentro dela. Com ele nos vingamos do mundo todo, vemos o certo e o errado de tudo e escolhemos o caminho certo: - É isso mesmo, esse cara está correto! - dizemos.

Genial.

E no show, ah, no show... Saí rouco, cantando em outra língua mesmo sem saber a letra, música empoeiradas e por isso mesmo, preciosas. Centenas se debatem para conseguir chegar perto do palco e pegar uma palheta, apertar a mão do ídolo (vi uma briga quase acontecer por um baqueta que dois caras pegaram juntos). Ser o mais medíocre possível exaltando aquele ser na nossa frente apenas por ele tocar música. Louco, não? Somos assim. Eu mesmo peguei alguns souvenirs.

Cada um tem seu heroi. Rorschach, Deep Purple, MacGyver, Batman, não importa. Todos nos refletimos em uma entidade que faz o que queremos fazer.

Pois é, neste fim de semana fui um pouco mais genial. E um pouco mais medíocre. Fui elevado da mediocridade sendo jogado mais para dentro dela.

Mas não é isso mesmo que os herois fazem?

terça-feira, 3 de março de 2009

Absurdos

Por muito tempo eu levantei a bandeira de que se a capital federal do Brasil fosse mais perto dos grandes centros, e não enfiada naquele meio do nada, haveria mais manifestações, mais indignação, mais gente indo pra rua. Na Argentina basta andar umas quadras e você pode xingar o presidente (ou presidenta) na Casa Rosada.

Aqui, o pessoal (massa mesmo) teria que viajar algumas léguas pra adentrar o plano piloto e xingar alguém.

Mas não sei não, acho que somos medíocres mesmo e não faríamos nada de qualquer jeito. Riríamos do tal castelo do deputado dizendo: "que absurdo!" e logo depois faríamos comentário do resultado do jogo do 'Timão'. Alías, já viu que a palavra 'absurdo' já perdeu força? Tudo hoje é absurdo. É como o 'caos'! Cara, caos é o máximo de desordem, não fica nada sobre nada, mas qualquer coisinha já vira caos. E hoje o trânsito é sempre um caos... E além disso, pra mim, caos passa idéia de movimento frenético, mudanças bruscas. E o trânsito é caótico?! Não anda!

Bom, voltando ao castelo horrendo do tal deputado. Um amigo já disse que pior casamento do que dinheiro com mau gosto não existe (boa Julinho), e taí o castelão pra provar. Coisa medonha. Com essa grana toda eu faria uma coisa bonita. Vai ver, é por isso que não tem ninguém morando.

Mas fugi do assunto de novo! O negócio é que brasileiro é pacato. Estrangeiro vem aqui e é sempre o mesmo papinho: 'Brasileiro é povo amistoso'. Vão à PQP. Eu lá quero ser amistoso? Deixar barato isso tudo? Roubalheira na cara dura. E o pior, a lista de corruptos está estampada em revistas e jornais desde que eu me lembro de lê-los. E não fazemos nada, hein?

E aí tem aquela propaganda: 'O melhor do Brasil é o brasileiro'. Tamos perdidos.

Brasileiro mesmo, aqui só tem os índios, que insistem em preservar sua cultura e seus celulares e iPods. Super legal: 'Deixem eu ouvir meus mp3 na terra dos meus antepassados, seus caraíbas FDP'. Ô, FUNAI! se liga!

Eu acho que o Brasil deveria ser um parque temático! É! Já imaginou? Florestas, rios, cidades, ratos em castelos. Parece a Disney.

Atrações do parque Brasilândia:
- Piratas do Senado
- Trem do funcionário-fantasma
- Montanha-russa da Bovespa.
- De volta para o passado (show com o MST)
- Inutilidade nas Estrelas (palestra com o autronauta Marcos Pontes)
- Parque dos Dinossauros (visita ao PMDB)
- Zoo tour (baile Funk no Rio)
- O Exterminador da Favela (simulador de guerra de milícias e traficantes)
- Querida, estiquei o salário

Aproveita o Real pra ser a moeda do parque. Na entrada você troca seu dinheiro por Real. Pra comprar souvenir.

Que absurdo! Esse país é mesmo um caos.