Novamente circula pelas redes sociais (não sei porque 'redes', no plural, se só tem uma relevante nesses tempos, enfim...), o discurso inflamado de Marilena Chauí, sobre a classe média.
Bem, como medíocre que sou, não poderia ser outra coisa além de classe média. Sim, sou reacionário, violento, fascista até. Segundo Marilena Chauí.
Sou espremido entre os chamados ricos e pobres. Não ganho grana suficiente pra ser rico e nem pra ser pobre. Então "vou sobrevivendo sem um arranhão".
Todo mundo tem seus direitos e deveres, certo? Mas a classe média eu vejo como o tipo de pessoa que recebe os deveres dos pobres, e cede os direitos aos ricos.
Tenho carro pra ser roubado. Mas não grana pra blindá-lo e escoltá-lo, ou pra ter um helicóptero e transportar cocaína.
Tenho saúde particular, mas tenho que brigar com o plano de saúde pra ter o exame aprovado. Nesse caso, ainda é bem melhor que o SUS, em alguns casos.
Tenho escola particular, mas não grana pra comprar a vaga na faculdade, que o rico já ganhou sem estudar. Mas não tenho direito a cotas.
Posso ser um profissional liberal, mas não posso contratar alguém, pois os encargos são imensos, e depois ainda vou sofrer um processo trabalhista.
Posso viajar uma vez por ano, mas pagar em 10x num pacote fechado, e vou torcendo pra tudo dar certo, e minha viagem não ser um pesadelo. Mas sou taxado de imperialista e playboy, se levo minha família para a Disney.
Enfim, vocês pegaram a ideia.
Bem, não sou fascista. Não apoio a invasão do Carandiru. Não aceito apologia à violência ou extermínio dos pobres. Mas também não sou comunista, não sou anarquista. E não sou burro, como grita a Sra. Chauí. Defendo a igualdade, assim como os ricos e pobres. Mas saio com medo de casa. Ligo mil vezes pros meus pais e filhos, quando eles saem, como os pobres.
Sou contra o assistencialismo como Bolsa-família, quando este serve de marketing eleitoreiro, e como um fim, e não um meio, para a solução social. E sou a favor quando este se mostra importante para quem o merece. E isso não é um 'ficar em cima do muro', como ironicamente poderia parecer. É ter discernimento, deste que só se tem quando se vê os dois lados da mesma história.
Sou a favor de punições para ricos, pobres e médios, e não só para pobres.
Não, não sou violento.
Violenta é a mentira, o descaso, a censura, a corrupção. Não eu.
Não! Eu não!
Eu quero cumprir meus deveres. SÓ os meus. E, sim, usufruir de meus direitos.