terça-feira, 24 de março de 2009

Quem se importa!?

Todos eles! Todos. Começou num dos canais e foi se espalhando como uma praga. Outro dia eu vi o último deles ser infectado e desisti. Os telejornais estão todos fazendo a mesma coisa: mandando seus apresentadores comentarem a notícia, logo depois que ela é dada.

E não conversam apenas com os que assistem não. Conversam entre eles. É patético. Sabe aquela sensação de vergonha que a gente sente por outra pessoa?

E tem notícia que rende mais comentários que são, por exemplo: "É um absurdo...", "E quem paga...é a população". E eles começam com: "E você sabe que...", "Além do que...", "É, é um absurdo" (já falei do temo 'absurdo' em outro post).

Só o Boris Casoy podia fazer isso. Só ele. Fora a dele, ninguém quer saber opinião de âncora da Rede Globo, Record, SBT e outras, que se acha concorrente ao Pulitzer. Ninguém além da massa medíocre, é claro!

E é aí que a merda começa. Audiência. Parece que dá Ibope opinar sobre tudo de maneira casual no meio do programa. Parece que eles estão aqui em casa, falando comigo, é isso?

Tédio!!!

Me dá a notícia e cala a boca!

Os jornalistas então, sempre usam a mesma entonação, já viram? Não importa a notícia, o canal, o horário, nada. Parece uma fórmula do sucesso. A receita mágica para se dar uma notícia. Geralmente tem uma pausa dramática, um fechar de olhos quase poético, e a conclusão, cantada, esticada, junto com um movimento suave da cabeça numa afirmação.

Mais tédio...

Fora isso, assitir um telejornal hoje é receita de depressão. Chamar de desgraça já é eufemismo. Acho que dá pra chamar de 'realidade aumentada' pela forma como se mostram as coisas. Se o coitado do entrevistado que perdeu a casa na enchente ou foi mordido pelo próprio Pitbull não diz frases-chave como 'foi horrível', 'pensei que ia morrer', eles perguntam assim: 'E a senhora pensou que ia morrer, certo?', 'Foi a pior sensação da sua vida, não foi?'. É entrevista ou interrogatório do DOI-CODI?

E não adianta mudar de canal, ou você corre o risco de ver o helicóptero Águia da PM sobrevoando algum lugar e o babaca narrando o inenarrável. Alguém avisa que não é rádio! Estou vendo o sujeito com a arma na mão. Não precisa dizer: 'Veja, ele tem uma arma', 'Veja como eles queimam os colchões em forma de protesto', 'Vejam agora essa barbárie' (palavra legal também, bastante usada).

A verdade é que notícia tá em falta. Notícia que o povão quer ver, claro. Repete-se muito a mesma estória com conteúdos exclusivos de uma coisa que merecia no máximo, nota de rodapé. A ditadura censurava no passado, mas hoje a censura é auto-aplicada. Censura-se tudo que é relevante ou de qualidade. Quem garimpa notícias e tem acesso à internet e outras mídias pode se manter um pouco mais informado. Pena. Mas depois da corrupção, sempre vem o Timão! Futebol vem sempre depois da notícias políticas nacionais.

E então, o plantão da Globo entra no ar com aquela musiquinha que faz o coração pular: tan, tantan, tantantantammm...

Alguém deve ter sido vítima de um AVC. Tá na moda.

2 comentários:

Paulo Pedroso disse...

Caro mediocre genial,
li seu artigo por acaso e gostei muito.Realmente o achismo tomou conta dos telejornais.Os campeões de comentários constrangedores são os apresentadores da Record. Além de inexperientes e ignorantes, conseguem ser terrivelmente moralistas.

abçs
Paulo

O medíocre disse...

Olá Paulo, obrigado pela visita. Dá uma vontade de dizer "e quem te perguntou?", não dá?
O pior é saber que isso é tendência, ou seja, além de ser o que dá Ibope, isso continuará por bom tempo.. um abraço