terça-feira, 10 de março de 2009

Herois

Esse final de semana foi recheado. Fui assistir o filme "Watchmen" e aos dois shows do Deep Purple aqui em Sampa.

Foram momentos de extrema mediocridade genial. Explico: Watchmen é ícone das histórias em quadrinho de caráter cult, obra do consagrado Alan Moore, adorado pelos 'nerds'. E o que são os nerds senão os medíocres que se sentem mais geniais? Gostar de Watchmen é a genialidade que os separa dos leitores de Superman e afins. Quanto aos shows, o rock clássico é o que eleva o espírito de jovens que odeiam o MPB, samba, pagode, RAP, axé, funk (e até mesmo esse novo rock) e coisas assim. E rejuvenescem tiozões já cansados que se lembram de alguma época da vida.

Ou seja, ler Watchmen e ouvir rock clássico limpa nossas almas.

Os dois eventos também enaltecem o conceito do heroi. Super-herois de roupa colante e capas esvoaçantes ou herois dos palcos, da música, que gritam coisas que gostaríamos de gritar. E herois são a constatação máxima de nossa mediocridade.

"Triste é o povo que precisa de herois", disse Bertold Brecht. Poderia ser: medíocre é o povo que precisa deles. E precisamos. Para sonharmos, imaginarmos. Para esperar a justiça.

Meu personagem preferido de Watchmen é Rorschach (pronuncia-se Rorchak). Anti-heroi por excelência, violento, sem frescuras e pronto para dizer o que pensa. Teatral até. É o que mais tem noção da mediocridade de sua existência e de sua genialidade dentro dela. Com ele nos vingamos do mundo todo, vemos o certo e o errado de tudo e escolhemos o caminho certo: - É isso mesmo, esse cara está correto! - dizemos.

Genial.

E no show, ah, no show... Saí rouco, cantando em outra língua mesmo sem saber a letra, música empoeiradas e por isso mesmo, preciosas. Centenas se debatem para conseguir chegar perto do palco e pegar uma palheta, apertar a mão do ídolo (vi uma briga quase acontecer por um baqueta que dois caras pegaram juntos). Ser o mais medíocre possível exaltando aquele ser na nossa frente apenas por ele tocar música. Louco, não? Somos assim. Eu mesmo peguei alguns souvenirs.

Cada um tem seu heroi. Rorschach, Deep Purple, MacGyver, Batman, não importa. Todos nos refletimos em uma entidade que faz o que queremos fazer.

Pois é, neste fim de semana fui um pouco mais genial. E um pouco mais medíocre. Fui elevado da mediocridade sendo jogado mais para dentro dela.

Mas não é isso mesmo que os herois fazem?

5 comentários:

jb disse...

Banda genial com guitarrista medíocre.
Mas valeu! Puta show!
Abração!

O medíocre disse...

Aee, Julinho!
Show genial mesmo...Ano que vem eles voltam.
Grande abraço e obrigado pela visita.

Maria Inês Carpi disse...

Muito bom texto! Você escreve de forma clara e objetiva.
Aliás, acho muito interessante como você brinca com os conceitos de genialidade e de mediocridade, sempre desmontando preconceitos.
Parabéns!

Anônimo disse...

Watchmen é mais um dos filmes que não me deixou com vergonha por ser fã de quadrinhos. Superman Returns e Homem-Aranha 3 quase me fizeram abandonar a leitura. Mas, do ano passado para cá, já tivemos Homem de Ferro, Cavaleiro das Trevas e agora Watchmen. Tomara que as próximas adaptações continuem no mesmo nível.

O medíocre disse...

é Raul, assistindo Watchmen realmente senti a nona arte inserida na sétima. Esperemos o Spirit!