terça-feira, 7 de abril de 2009

N.D.A.

Esse Domingo de madrugada, zapeando pela TV achei o filme Breakfast Club (Clube dos 5, aqui no Brasil) e, como sempre, não consegui parar de assisir.

Pra quem nunca viu, Breakfast Club é um dos mais famosos dos chamados 'Teen Movies', filmes de adolescentes da década de 80, onde a juventude era menos, porém igualmente idiota. Dificíl explicar, era idiota mas a idiotice era outra.

Enfim, no filme, 5 adolescentes ficam na detenção depois da aula e têm que fazer uma redação sobre quem eles pensam que são, monitorados pelo diretor 'nazista'. E mesmo sendo de grupos intelecto, socialmente e comportamentais diferentes, acabam vendo semelhanças entre si.

Um deles é o estereótipo de 'nerd' e conta da pressão que sofre por boas notas. Me lembrou a capa da Veja de alguns meses atrás, mas tão comum todos os anos. A foto do rapaz careca, rosto pintado e os dizeres "Primeiro colocado em Medicina USP".

Todo ano esta revista e todos os canais de mídia do Brasil mostram reportagens, provavelmente pagas pelos cursinhos da vida, sobre a maratona de estudo dos primeiros lugares nos vestibulares.

O valor superestimado dado a esta posição já encheu o saco.

Eu não entrei em primeiro lugar na faculdade, conheço gente que entrou na terceira chamada, caiu na minha classe e ganhou, no fim do curso, um diploma exatamente igual ao meu e igual ao do primeiro colocado.

No diploma não diz em que posição você entrou. Tá lá no histórico escolar, eu sei. Mas e daí? Você entra no consultório de um médico e pergunta em que posição ele ficou no vestibular?

Aliás, acho que o sujeito bitola tanto pra entrar em primeiro que quando entra na faculdade, despiroca de vez e nem vai tão bem no curso, tentando recuperar o tempo que ficou pra trás. Gostaria de saber, mas nunca vi acompanharem os primeiros colocados durante o curso.

Antigamente, quando saía do colégio o cara era mais maduro do que hoje em dia também. Muitos já eram politizados, integrados e até atuantes. Muitos trabalhavam. Hoje a violência urbana e a alienação do jovem retarda (palavra perfeita pra alguns alunos no final do colégio e início de faculdade) essa maturidade.

Em outras palavras, estamos pondo crianças idiotas nas faculdade. E faculdade exige maturidade. Ou deveria.

Faculdades pagas são mais complacentes, razão óbvia. Eu estive em paga e em pública e vi bem a diferença. Na paga, é circo. Chamar aqueles moleques de imbecis é elogio.

Eu acredito que sair do colégio para a faculdade diretamente, hoje em dia, é forçar uma situação. Deveria haver um ano de preparo para essa fase. Testes vocacionais, visitas a empresas, workshops. E sem passar a mão na cabeça da meninada. Aí sim não veria risinhos, gritinhos e celulares sendo atendidos em sala de aula, como vi muito.

Mas esse medíocre que vos escreve é um sonhador. Vamos em frente, aumentado notas de corte e diminuido qualidade acadêmica.

Aspirantes a médico torturam seus novos colegas com cada vez mais requinte. Que bom quando sabíamos que nossos filhos iriam voltar apenas carecas e coloridos do dia da matrícula. E não num saco plástico ou em coma alcoólico.

Professores despreparados e mal pagos formam mais gente todos os anos, inchando o mercado com inúteis portadores de diplomas, que torcem para conseguiu uma vaga com uso de nepotismo. Esses, os 'espertos'. Os outros cultuam um sonho utópico de 'viver fazendo o que gosta'.

Bonito, poderia ser assim.

Um comentário:

Maria Inês Carpi disse...

Triste constatação!
Mas enfim, é a realidade!