terça-feira, 14 de abril de 2009

Too old to rock and roll

'Aí então vocês vão ver: suas crianças derrubando reis. Fazer comédia no cinema com as suas leis'.

Não, não rolou. A 'geração Coca-Cola' não derrubou rei algum nem mudou leis. Não significativamente, pelo menos. A Legião Urbana se foi, Renato Russo se foi. Cazuza se foi. Herbert Viana ficou aqui por muito pouco. A estrela do PT subiu pela rampa do Planalto mas nada mudou.

Lobão gritou: 'O Rock errou'. Mas o Rock não errou, o Rock acertou. Quem errou foi quem ficou esperando o negócio todo mudar.

Depois da porcaria que foi a Jovem Guarda, com seus cantores playboys traduzindo hits americanos pra uma juventude que falava 'brasa, mora?', o Rock brasileiro reclamou da vida. E queria mudar o mundo, queria uma ideologia.

Mas como todo herói morre de overdose, ficamos por aí, nas ruas, com um sonho meio embolorado que hoje, se contado aos mais novos, causariam um sorriso torto e um 'ah tio, se liga'.

A tal 'geração Pepsi', que hoje deve estar com seus 20 e poucos anos, descambou de vez para uma 'geração ecstasy' que tem o fator lisérgio dos tempos de Woodstock, mas a cabeça oca que nunca se viu antes.

Ira!, Capital Inicial, Legião Urbana, Plebe Rude, Inocentes e muitos outros deram lugar a NX Zero (à esquerda?), emocores, góticos-tristes-de-barriga-cheia e outras aberrações acéfalas. Nem o RAP reclama mais, apenas vomita ódio (até justo), mas toca dentro de Audis cheios de boçais de bonézinho da Diesel indo pra Vila Madalena encher a cara de Vodka com energético!

Ou ouvindo uma coisa chamada Drum & Bass em volume cataclísmico por que ele quer que você saiba que ele vai ficar surdo. "Ok, cara eu estou vendo você perder sua audição, muito legal'.

Aliás, antes eles ouviam o tal do pagode, coisa nojenta, que a gente tinha que aguentar até eles começarem a ouvir axé music. Como tudo que é ruim pode piorar, estamos na era do funk carioca. Coitados de James Brown e companhia. Chamar aquilo de funk é chamar Dercy Gonçalves de Michelle Pfeiffer.

Eu posso até ser criticado por dizer que só o Rock é bom. Nada disso. Música é música. Lixo é lixo.

Bom era quando as música refletiam o que o jovem sentia, e não o contrário. A MTV, que devia mudar seu nome pra qualquer outra coisa, empurra goela abaixo as musiquetas enlatadas que saem por aí a rodo. O legal era apresentar bandas novas pros amigos. Dividir o som. Hoje é preciso saber o 'hit do minuto' ou então você é desatualizado. É isso mesmo? Eles têm que ouvir tudo que sai pra não ser excluído de alguma rodinha?

Mas o Rock and Roll não está morto, está por aí, vagando. Vagabundeando pelas ruas. Bem longe das rádios e TV. Está sendo pirateado pela rede em forma digital. Sempre com 2 dedos em riste, à frente de um cabelo comprido sendo chacoalhado. Sendo tocado e cantado por velhões grisalhos e felizes que tocam pela grana, claro, mas também porque curtem.

A burguesia continua fedendo, o homem ainda tem cabeça-dinossauro e o Papai Noel é um velho batuta. E vamos nós, de Simca Chambord, na moto do Vidal pelas infinitas highways da vida. Lembrando do que é bom, do que um dia quis mudar uma época, um país, um planeta.

'Aumenta que isso aí é Rock and Roll!'

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